. a dor

dessa vez, ela veio sem avisar.

como disse no texto anterior, lembro de tudo claramente.

na semana em que a gente chama de polimento, no único treino do ciclo inteiro em que obedeci a planilha, a merda aconteceu. é, Juliana, que ironia mais didática essa, hein?

naquela terça-feira, fazia exatamente uma semana que não sentia mais nenhuma dor relacionada à tenossinovite dos fibulares. o edema – depois de muita teimosia dele [ou seria minha de não ter repousado em nenhum momento dessa lesão?] – já tinha enfim sido completamente absorvido. meu aniversário tinha sido no fim de semana [como toda leonina, eu amo fazer aniversário] e estava feliz. ia pra minha sétima maratona, e estava confiante em baixar o tempo.

mas a dor veio. forte. e sem avisar. foi como se tivesse levado uma pedrada (ou seria um soco) no adutor, bem pertinho da virilha. não quis dar muita bola, continuei o treino. e, bom, daí você já sabe. se não sabe, e quiser saber, é só ler todos os outros textos do blog pra entender. não tem muita coisa ainda. então, dá pra acompanhar o fio tranquilamente. mas se estiver sem tempo, a primeira postagem explica muita coisa.

o que eu quero dizer é que desde o dia 20 de agosto, eu sinto dor. tem 34 dias que eu não passo 24 horas ininterruptas sem sentir algum incômodo no quadril. acho que até aprendi a conviver com ela. quem tem estiramento sabe que não é uma coisa muito fácil de tratar. sobretudo, na região da virilha. ainda mais em um músculo tão profundo como o Iliopsoas.

dessa vez, a dor não me atrapalhou a andar. não cheguei a mancar. mas fiquei com a mobilidade comprometida. decidi não tomar antiinflamatório [aliás, tomei nos dois primeiros dias]. decisão acertada, inclusive. já que existem altos estudos dizendo que o antiinflamatório contribui para a formação de fibrose.

nos primeiros dias, sentia as pernas muito pesadas. parecia que meu tronco estava desconectado dos membros inferiores. a pressão na lombar era gigantesca. mas eu não deixei nada disso me abalar. mesmo sentindo que faltava sustentação entre tronco e membros inferiores, eu tentava manter a postura reta e os pés firmes para andar.

um detalhe: pra quem não sabe, o Psoas é o único músculo que conecta o tronco com os membros inferiores. tem mil artigos na internet, ressaltando a importância dele pra nossa vida (tanto no aspecto físico quanto emocional). vale a pena googlar e se informar mais. quem acredita na ciência psicossomática vai curtir.

com os dias, essa sensação passou. comecei a sentir algumas agulhadas [fisgadas na linguagem esportiva] meio bizarras. eu conseguia andar, mas sentia a virilha meio dolorida. tinha muito medo de fazer qualquer movimento brusco e romper tudo. além disso, ficar sentada era tarefa [quase] impossível. pressionava a lombar e a nádega doía muito. enfim, tudo muito desconfortável e horrível.

quando a dor acabou, ficando concentrada apenas nos momentos sentada, vieram os exercícios da fisioterapia. com a região estimulada, você já imagina o que acontece, né? mais dor. e, além da dor, ainda tinha a dor muscular. meu corpo estava sem exercitar. óbvio, que ele sentiu.

pra uma pessoa apavorada, que potencializa tudo, eu achei que tivesse colocado tudo a perder novamente. que a lesão tinha piorado. talvez não fosse a hora de voltar a exercitar. mas daí, como disse outro dia, eu decidi fazer uma intervenção.

mesmo surtando internamente “porra, quando esse inferno vai acabar?”, eu procuro enxergar alguma evolução ao decorrer dos dias. e de fato teve. tá tudo muito melhor. antes, eu não conseguia fazer certos movimentos com a perna, agora já consigo. quando vem um movimento inesperado [tipo um dos cachorros me puxar do nada durante o passeio] já não sinto mais nada. também já não dói mais pra subir as escadas. tá mais fácil calçar os sapatos. e ficar sentada já está cada vez mais suportável.

hoje, acho que depois de tanto pedir, acreditar e confiar, parece que finalmente eu encontrei um alívio mais consistente.

23 de setembro, #sessão 7

hoje teve liberação e exercícios. inclusive, um para o glúteo, de ficar com um dos joelhos encostados na bola na parede. super dolorido. senti tudo queimando. mas melhor sentir dor na fisioterapia do que não correr, não é mesmo?

fui liberada para treinar inferiores (exceto leg press e agachamento). e (…). bom, o futuro a gente deixa na curiosidade.

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