. a lesão

completaram-se hoje quatro semanas que lesionei. exatamente 28 dias. e isso foi em uma terça. curiosamente depois de fazer o melhor treino do ciclo inteiro, no sábado anterior, mais conhecido como dia do meu aniversário.

e eu estava tão feliz aquele dia.

diferente da tenossinovite dos fibulares (que tive no fim de junho e me renderam 6 semanas de tratamento), essa lesão veio sem avisar. justo na semana da prova. no dia em que resolvi “obedecer” as zonas e fazer um treino leve.

lembro de tudo claramente. foi como se eu tivesse recebido uma pedrada na parte interna da coxa, bem perto da virilha. como não me limitou o movimento, eu continuei a correr (tem gente que nunca aprende, né?) mas eu sabia que tinha algo muito errado ali. só não queria contar pra ninguém. e muito menos acreditar.

fui ter certeza logo quando cheguei em casa. com o corpo frio, eu mal conseguia ficar de pé. sentia fisgadas na virilha e na lateral da coxa. descer as escadas do prédio aquele dia foi uma experiência dolorosa e traumatizante. desci toda torta. eu sabia que não correria a maratona no domingo. aliás, eu soube disso bem antes. umas duas semanas, pra falar a verdade. me sentia ansiosa, queria que os dias passassem rápido. não estava conseguindo realizar a linha de chegada.

e foi assim que eu acabei sabotando minha mente. na segunda – já na semana da prova – acordei com dores em todos os lugares. no joelho, no tornozelo, várias dores musculares. bati o pé, deixei uma frigideira pesadassa cair no meu dedão (inclusive, ele está roxo até hoje). não consegui trabalhar direito. o colapso veio na terça, no penúltimo treino do ciclo. eu tive um estiramento grau II no Iliopsoas, o músculo da alma (isso significa um monte de coisa que conto em breve). só fui descobrir o laudo no sábado, já em Florianópolis, depois de insistir muito com a clínica pra liberar o resultado logo.

lembro que tomei remédio e parei de sentir dor. cheguei a nadar na quarta. na quinta, tentei correr, mas não saiu 1KM. depois disso, eu tive uma crise louca de ansiedade. não por saber que eu não correria mais a prova. mas por não saber exatamente o que tinha. e principalmente por meu corpo estar cansado. sim, eu havia chegado no limite. e o estiramento foi um pedido de socorro.

as dores aumentaram, tive uma lombalgia fortíssima na quinta [parecia que tinha uma chapa de aço pressionando minha coluna] e senti várias agulhadas no glúteo. mal conseguia ficar sentada.

por causa disso tudo, tive uma crise de choro horrorosa no trabalho. fiquei igual a henna do papai noel, segundo me contaram depois. me mandaram de volta pra casa. na sexta, pedi pra sair mais cedo. e eu nunca faço isso. se tem duas coisas que não burlo na vida é treino de corrida e trabalho.

só fui relaxar no sábado, depois de descobrir o que eu tinha. e principalmente: que era preciso dar um tempo pra mim, pro meu corpo, pra minha cabeça. senão, a próxima coisa a pifar seria meu psicológico. que tirando alguns problemas de ansiedade, é bem forte, viu? já tive vários motivos pra surtar na vida, mas me mantive inabalável até aqui.

depois disso tive umas semanas bem descontraídas, até me permitindo umas orgias gastronômicas e alcóolicas. fiquei mais focada ainda no trabalho, passei a escrever mais. agora, acho que estou mais introspectiva. voltando aos treinos e ao foco. estou nadando, fazendo fisio e treinando superiores. tenho dormido bastante. e até reduzi o café. está tudo muito leve, muito slow, mas é assim que tem que ser.

sigo com saudades de correr. aliás, tem feito uma falta gigantesca. sinto algumas dores, que me deixam neurada, é óbvio. tem horas que nem parece que estou lesionada. aí vem aquela esperança de já estar curada. de repente, volta um pouquinho ali ou acolá. daí, eu crio um drama e acho que tive uma recidiva. e que não vou curar nunca mais. mas é normal, sobretudo, agora que voltamos a mexer o corpitcho, né? as fibras musculares estão fracas, o corpo estava parado e tem que voltar a se acostumar, né?

então, sigamos. nada de ansiedade. tem 28 dias. nem chegaram nos 30 ainda. e a previsão são 40 dias, podendo se estender até 60. você sempre soube disso. então, seguimos com foco.

e sem olhar pra trás: eu deveria ter feito isso ou aquilo. não. tudo deveria ter acontecido do jeito que aconteceu. foi importante pra rever um monte de coisa que tava fazendo errado. e, sobretudo, pra treinar a cuca.

e pra não esquecer nunca: a ansiedade só vai tensionar ainda mais o Iliopsoas. então, como diria a marta, relaxa e goza.

17 de setembro, #sessão 6

mais uma sessão de exercício. hoje trabalhamos glúteo médio e glúteo mínimo. exercícios com fita, caneleira, alongamento para o Iliopsoas, teve até afundo.

lógico que meu glúteo sentiu. mas o que me consola é que senti menos incômodo na fisio e menos dor muscular. e, segue, o jogo.

amanhã tem treino de superiores. e natação (levinho, porque todo cuidado é pouco nessas horas).

comam, pessoas, comam!

se você vai fazer um esporte de endurance, você tem que se alimentar direito. e esse era um dos pontos que eu estava errando. não por excesso ou por me entupir de porcaria. muito pelo contrário. sempre fui muito disciplinada com minha alimentação. aliás, pra quase tudo na minha vida.

e isso não só por estética ou pelo esporte. eu gosto de comida de verdade. amo todas as carnes, como todas as verduras e legumes (inclusive jiló!) e quase todas as frutas. quanto às castanhas, devoro um pote de castanha de caju sem a menor culpa na consciência.

depois que descobri que a Resistência à Insulina era a real causa da SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos) e que poderia resolver isso com a alimentação, passei a evitar o glúten, o açúcar e farinha branca. (exceto, o Pão de Queijo, que certamente é minha comida preferida). e, realmente, melhorou. no último exame, estava tudo bem controladinho. e outra: os problemas de inchaço, gases e etc que tinha com muita frequência, melhoraram muito. não é só frescura!

comer direito, entretanto, não significa comer saudável. é preciso quantidade e equilíbrio entre os macronutrientes. e o problema é o carboidrato. como toda ex-gordinha, eu sempre tive medo deles. mesmo optando pelos mais naturais do mundo – batata, abóbora, mandioca, inhame e afins – eu tinha medo de comer nas quantidades necessárias. minha nutricionista sempre me alertou muito sobre os riscos de não seguir essa parte direitinho. mesmo pedindo pra colocar PdQ na minha dieta, eu não comia o tanto que precisava pra dar conta de tanto treino. ou melhor: não comia sempre que devia comer. seguia o pré e o pós e acabava negligenciando o restante do dia. e isso era só no carbo, porque o restante eu comia certinho. e pra completar: achava que quanto mais leve, melhor pra correr mais rápido. pra falar a verdade, só nos últimos três meses é que passei a (quase) seguir tudo. a fobia estava lá. e isso é sério.

só que pra treinar pra maratona, você precisa de reserva. então, acho que houve um desequilíbrio, que provavelmente contribuiu pra lesão. chega uma hora que, além da sobrecarga que você está impondo ao seu corpo, falta energia, né?

se você por acaso corre, ou pratica qualquer outro tipo de esporte, não tenha medo, comam, pessoas, comam! comer é, certamente, um dos prazeres mais gostosos e necessários do mundo.

texto totalmente inspirado no susto que tomei depois de ver uma foto que mostrava que minha magreza tinha saído fora do tom.

02 de setembro, #semfisio

a fisio volta só na sexta. felizmente, já sinto pouco ou quase nada de dor. o repouso forçado tem sido entendiante, porém, necessário, pra cicatrizar esse músculo logo. obrigada!

sobre a alimentação, depois de uma semana de orgia gastronômica, comecei a semana insuportavelmente focada. e, sim, sem burlar o carbo.

inclusive, não sei se procede. mas li em algum lugar que dependendo da lesão, o metabolismo pode ficar mais acelerado. ou seja, mesmo sem atividade física, nada de reduzir as calorias. ainda mais sabendo que o corpo precisa recuperar.