. a mente

impressionante como a nossa mente funciona, né?

quando a gente “tá” neurada com algo, tendemos a potencializar a situação em um extremo pessimista tão grande, que obviamente os problemas parecem muito maiores do que são de verdade.

no meu caso, a lesão. e, principalmente, a dor.

tudo bem que, como eu disse, já não sentia mais aquela dor difusa há várias semanas. e fazia muitos dias, que as agulhadas na virilha já não incomodavam muito. a recuperação era clara. já tinha força e mobilidade na perna.

mas minha cabeça [ou seria autossabotagem?] não estava achando normal a dor ainda não ter ido totalmente embora. comecei, então, a imaginar um monte de desfechos um pouco mais trágicos, e como seria minha atitude frente a cada um deles. curiosamente, o suposto planejamento fez com que eu ficasse mais relaxada. se acontecesse algo ruim, que eu tivesse preparado. além disso tem milhões de pessoas em situações MUITO PIORES.

daí fui lindamente à consulta com o Ortopedista. tranquila e calma. mas, hoje, quando o médico disse que a progressão foi absurda, fiquei tão relaxada, tão feliz que… a dor sumiu. totalmente. estou tão relaxada, que é bem provável que eu saia dançando aqui no meio da Redação. e, tudo bem, aqui nessa rádio só tem gente doida mesmo. ❤

e não é que o Iliopsas realmente sente a tensão e o relaxamento?

eu fico de cara com a força da nossa mente. e a gente usa esse poder tão pouco. ou quando usa vai pro lado mais negativo. por que? WHY??? enfim… vou tentar fazer o inverso disso.

enfim 2X

detalhe: o médico ficou surpreso com o quanto a minha recuperação aconteceu de forma rápida. sobretudo, pelo grau da lesão. não foi um estiramento simples. foi grau II (com ruptura parcial da fibras). e em um músculo muito profundo. e ainda tinha o edema ósseo.

mas é aí que entra outra coisa super importante. o nosso comportamento diante das adversidades. desde a descoberta da lesão, eu aceitei a condição resignadamente. afinal, eu fui a única responsável por ter machucado, né? se você quer ir além dos limites, tem que se preparar para colher os frutos [bons e ruins].

decidi que ia [tentar] lidar com as consequências negativas de forma paciente e tranquila.

eu disse tentar, porque quem me conhece sabe o quanto minha ansiedade e agitação acabam fazendo com que eu meta os pés pelas mãos.

e, claro, segui fielmente TODAS as recomendações.

também não tinha provas em vista, o que ajudou bastante.

mentalizei que seriam 6 semanas.

e relaxei.

segui cada etapa com foco e disciplina. se tinha que ficar OFF total, então, o lance era descansar e alimentar bem. se podia treinar braço, fazia o combo: descanso, sono, alimentação e superiores. depois, vieram os exercícios da Fisio, a natação, o pedal, o treino de pernas…

comemorei, agredeci e respeitei o limite de cada um dos retornos. e vai ser assim quando voltar a correr de verdade.

certamente, tudo isso ajudou e tem ajudado muito na recuperação.

02 de outubro, consulta médica

fui [super] tranquila para a consulta. também pudera! aquelas agulhadas malditas tinham ido embora, eu tinha mais é que “tá” relaxada mesmo, né?

passei em praticamente TODOS os testes clínicos. ou seja, não senti dor em nenhum deles. mentira, só em um de fechar a perna.

fui liberada para um retorno lento e gradual.

serão duas semanas de fase de transição.

. a dor

dessa vez, ela veio sem avisar.

como disse no texto anterior, lembro de tudo claramente.

na semana em que a gente chama de polimento, no único treino do ciclo inteiro em que obedeci a planilha, a merda aconteceu. é, Juliana, que ironia mais didática essa, hein?

naquela terça-feira, fazia exatamente uma semana que não sentia mais nenhuma dor relacionada à tenossinovite dos fibulares. o edema – depois de muita teimosia dele [ou seria minha de não ter repousado em nenhum momento dessa lesão?] – já tinha enfim sido completamente absorvido. meu aniversário tinha sido no fim de semana [como toda leonina, eu amo fazer aniversário] e estava feliz. ia pra minha sétima maratona, e estava confiante em baixar o tempo.

mas a dor veio. forte. e sem avisar. foi como se tivesse levado uma pedrada (ou seria um soco) no adutor, bem pertinho da virilha. não quis dar muita bola, continuei o treino. e, bom, daí você já sabe. se não sabe, e quiser saber, é só ler todos os outros textos do blog pra entender. não tem muita coisa ainda. então, dá pra acompanhar o fio tranquilamente. mas se estiver sem tempo, a primeira postagem explica muita coisa.

o que eu quero dizer é que desde o dia 20 de agosto, eu sinto dor. tem 34 dias que eu não passo 24 horas ininterruptas sem sentir algum incômodo no quadril. acho que até aprendi a conviver com ela. quem tem estiramento sabe que não é uma coisa muito fácil de tratar. sobretudo, na região da virilha. ainda mais em um músculo tão profundo como o Iliopsoas.

dessa vez, a dor não me atrapalhou a andar. não cheguei a mancar. mas fiquei com a mobilidade comprometida. decidi não tomar antiinflamatório [aliás, tomei nos dois primeiros dias]. decisão acertada, inclusive. já que existem altos estudos dizendo que o antiinflamatório contribui para a formação de fibrose.

nos primeiros dias, sentia as pernas muito pesadas. parecia que meu tronco estava desconectado dos membros inferiores. a pressão na lombar era gigantesca. mas eu não deixei nada disso me abalar. mesmo sentindo que faltava sustentação entre tronco e membros inferiores, eu tentava manter a postura reta e os pés firmes para andar.

um detalhe: pra quem não sabe, o Psoas é o único músculo que conecta o tronco com os membros inferiores. tem mil artigos na internet, ressaltando a importância dele pra nossa vida (tanto no aspecto físico quanto emocional). vale a pena googlar e se informar mais. quem acredita na ciência psicossomática vai curtir.

com os dias, essa sensação passou. comecei a sentir algumas agulhadas [fisgadas na linguagem esportiva] meio bizarras. eu conseguia andar, mas sentia a virilha meio dolorida. tinha muito medo de fazer qualquer movimento brusco e romper tudo. além disso, ficar sentada era tarefa [quase] impossível. pressionava a lombar e a nádega doía muito. enfim, tudo muito desconfortável e horrível.

quando a dor acabou, ficando concentrada apenas nos momentos sentada, vieram os exercícios da fisioterapia. com a região estimulada, você já imagina o que acontece, né? mais dor. e, além da dor, ainda tinha a dor muscular. meu corpo estava sem exercitar. óbvio, que ele sentiu.

pra uma pessoa apavorada, que potencializa tudo, eu achei que tivesse colocado tudo a perder novamente. que a lesão tinha piorado. talvez não fosse a hora de voltar a exercitar. mas daí, como disse outro dia, eu decidi fazer uma intervenção.

mesmo surtando internamente “porra, quando esse inferno vai acabar?”, eu procuro enxergar alguma evolução ao decorrer dos dias. e de fato teve. tá tudo muito melhor. antes, eu não conseguia fazer certos movimentos com a perna, agora já consigo. quando vem um movimento inesperado [tipo um dos cachorros me puxar do nada durante o passeio] já não sinto mais nada. também já não dói mais pra subir as escadas. tá mais fácil calçar os sapatos. e ficar sentada já está cada vez mais suportável.

hoje, acho que depois de tanto pedir, acreditar e confiar, parece que finalmente eu encontrei um alívio mais consistente.

23 de setembro, #sessão 7

hoje teve liberação e exercícios. inclusive, um para o glúteo, de ficar com um dos joelhos encostados na bola na parede. super dolorido. senti tudo queimando. mas melhor sentir dor na fisioterapia do que não correr, não é mesmo?

fui liberada para treinar inferiores (exceto leg press e agachamento). e (…). bom, o futuro a gente deixa na curiosidade.

correr, esporte radical

correr é um esporte radical.

surfar, andar de skate, pular de paraquedas, rapel, esquiar… esqueçam todos aqueles esportes mirabolantes que passam no canal OFF.

já experimentaram a adrenalina de um treino intervalado de corrida? ou de correr com o coração na boca pra bater seu RP em um prova curta? e completar uma maratona, então? algo que ainda acho meio surreal de fazer. mesmo depois de já ter feito 6.

seja para emagrecer ou ficar mais saudável, correr não é só colocar o corpo em movimento. correr é muito mais que isso. correr é sobre aliviar o stress, controlar a ansiedade, melhorar a concentração, superar desafios e ficar forte. é aprender a lidar com as adversidades da vida de um jeito mais fácil.

correr é liberar endorfina e sentir prazer. é produzir leptina e sentir-se livre. é ficar bem-humorado depois de sentir os efeitos da anandamida ou endocanabinoides (qualquer relação com a maconha NÃO é APENAS coincidência) outro hormônio liberado durante a corrida. correr é um barato.

mas como todo esporte que relaxa e produz um monte de sensação gostosa, machucar faz parte. ainda mais quando você quer ir um pouquinho além. e seu corpo não está tão preparado pra isso (daí a importância do descanso-alimentação-fortalecimento muscular).

mas, entre ficar acomodada (naquela zona confortável) e arriscar, eu sempre vou preferir o caminho mais difícil, o do desafio, da endorfina, da leptina, da anandamida. eu sempre vou querer testar meus limites, provar que eu posso. de ir além. e viver os dias sempre feliz, disposta, pronta pra qualquer coisa.

e esse sempre vai ser o meu remédio contra a ansiedade, a hiperatividade, pra lidar com minhas neuras.

correr pra mim também é sobre meditar. é como o Yoga em que você tem que tirar tudo da mente e focar só naquilo. é por isso tudo que eu odeio ouvir música enquanto corro. eu gosto de estar ali por inteira. de sentir o suor, o coração acelerado e a respiração em cadência com meus passos. mesmo que a minha biomecânica não seja a melhor do planeta. aliás, beeem longe disso.

seja pelo seu efeito estimulante, de relaxamento ou contemplativo, correr, pra mim, é libertador.

eu me sinto foda quando corro.

10 de setembro, #sessão 4

fui preparada para mais uma sessão de fisioterapia deitada na maca com todos aqueles estímulos que tenho sentido nos últimos 3 meses: laser, agulha, corrente elétrica e massagem.

tanto é que tive que fazer um esforço danado (maldita neura!) pra não comer uma fatia de queijo Canastra – daqueles curados, amarelos que eu tanto amo – junto com o café na cafeteria ali perto da Fibra, onde tenho feito as sessões.

para minha alegria, uma sessão [quase] inteirinha de exercícios. chatos? é óbvio. doeu? sim e com certeza. tremi toda? também. reclamei? nem um pouco. comecei o dia feliz. ver os músculos das pernocas exercitando depois de 21 dias teve um efeito psicológico positivo pra caramba. nem pedi pra me liberar pra nadar amanhã. tudo tem sem tempo. acho prudente esperar mais um pouquinho. paciência também faz parte. terminei a sessão sem dor, fiquei o dia sem dor. é, acho que estou bem, obrigada, haha.

quanto ao queijo, me dei um fatia do queijo da Serra do Salitre de presente de sobremesa pós-almoço com meu café coado preferido da região da Savassi, em BH.

9 fatos [aleatórios] sobre essa semana

segunda semana [quase] sem treinos. surpreendentemente, tenho lidado com a ausência de atividade física melhor do que achei que o combo ansiedade-impaciência-hiperatividade iam permitir.

para isso, tenho escrito. muito. mesmo. quase freneticamente. every fucking day. várias vezes ao dia. tanto pra mim, quanto pro trabalho e freela.

escrever tem tido um efeito anestésico, antiinflamatório, analgésico e até estimulante. anestésico porque faz com que eu não fique pensando tanto na falta que correr tem feito, antiinflamatório e analgésico porque a gente bota pra fora os incômodos, as neuras, as tristezas, as felicidades e lida melhor com os sentimentos, né? e estimulante, bom…, tenho gostado tanto de escrever – e principalmente: do que escrevo – que a sensação é tipo a endorfina liberada após um treino intenso e bem feito. tem me dado prazer. e quero sempre repetir. tenho escrito com a alma, assim como corro com a alma. sempre. [ainda vou escrever um texto só pra falar da relação entre escrito x corrida]

meu textos, a.k.a meu ganha-pão, têm me dado um puta orgulho. e isso é bem difícil pra quem trabalha com criação. sim, sou exigente comigo mesmo. e perfeccionista.

tenho me exposto mais nas redes sociais do que o de costume. sempre fui low profile. mas tem sido bom. as pessoas lêem. e se interessam por aquilo que você escreve. ou posta. de algumas é bem genuíno. e isso tem sido bom. tem me feito bem.

ando mais calma, menos ansiosa, mas um pouco apreensiva com as dores que ainda não foram embora totalmente. e quando eu fico bolada, as dores tendem a aumentar. e tem hora que é difícil não ficar bolada e potencializar tudo. quando vejo já alimentei um gremlin. o resultado: um monte de pensamentos descontrolados tentando destruir o meu Buda interior (haha). e isso só dificulta a recuperação. afinal, a cabeça comanda, né?

e ainda tem aquele lado psicossomático. o estiramento foi justamente no Iliopsoas, o músculo que literalmente carrega o nosso corpo. logo é ele que absorve todos os nossos sentimentos – ansiedade, stress, euforia… já que não posso deixá-lo forte com exercícios no momento, que eu tente fazer a cabeça ficar forte.

estou insuportavelmente focada em comer bem e saudável. mas, sem atividade física, tenho medo de engordar.

btw.

finalmente vi “Era uma vez em… Hollywood” e o filme é ótimo. Tarantino é o melhor diretor da atualidadade. Os diálogos são afiados, o humor ácido, a trilha sonora maravilhosa e Brad Pitt e DiCaprio estão ótimos em seus papéis. em todos os sentidos.

gostei tanto do filme, que escrevi algumas palavras sobre ele. depois de quase 10 anos sem escrever nada sobre cinema. está no meu Facebook.

06 de setembro, #sessão 3

de novo. sessão exclusivamente de analgesia e liberação miofascial. mais uma. entediante. pra-ca-ra-lho. pior: semana que vem vai ser assim de novo. segundo o meu fisioterapeuta, ainda não é o momento de começar o fortalecimento. broxante, né?

porra! a atividade física “tá” fazendo falta. será que só nadar levinho vai piorar?

pronto. desabafei.

comam, pessoas, comam!

se você vai fazer um esporte de endurance, você tem que se alimentar direito. e esse era um dos pontos que eu estava errando. não por excesso ou por me entupir de porcaria. muito pelo contrário. sempre fui muito disciplinada com minha alimentação. aliás, pra quase tudo na minha vida.

e isso não só por estética ou pelo esporte. eu gosto de comida de verdade. amo todas as carnes, como todas as verduras e legumes (inclusive jiló!) e quase todas as frutas. quanto às castanhas, devoro um pote de castanha de caju sem a menor culpa na consciência.

depois que descobri que a Resistência à Insulina era a real causa da SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos) e que poderia resolver isso com a alimentação, passei a evitar o glúten, o açúcar e farinha branca. (exceto, o Pão de Queijo, que certamente é minha comida preferida). e, realmente, melhorou. no último exame, estava tudo bem controladinho. e outra: os problemas de inchaço, gases e etc que tinha com muita frequência, melhoraram muito. não é só frescura!

comer direito, entretanto, não significa comer saudável. é preciso quantidade e equilíbrio entre os macronutrientes. e o problema é o carboidrato. como toda ex-gordinha, eu sempre tive medo deles. mesmo optando pelos mais naturais do mundo – batata, abóbora, mandioca, inhame e afins – eu tinha medo de comer nas quantidades necessárias. minha nutricionista sempre me alertou muito sobre os riscos de não seguir essa parte direitinho. mesmo pedindo pra colocar PdQ na minha dieta, eu não comia o tanto que precisava pra dar conta de tanto treino. ou melhor: não comia sempre que devia comer. seguia o pré e o pós e acabava negligenciando o restante do dia. e isso era só no carbo, porque o restante eu comia certinho. e pra completar: achava que quanto mais leve, melhor pra correr mais rápido. pra falar a verdade, só nos últimos três meses é que passei a (quase) seguir tudo. a fobia estava lá. e isso é sério.

só que pra treinar pra maratona, você precisa de reserva. então, acho que houve um desequilíbrio, que provavelmente contribuiu pra lesão. chega uma hora que, além da sobrecarga que você está impondo ao seu corpo, falta energia, né?

se você por acaso corre, ou pratica qualquer outro tipo de esporte, não tenha medo, comam, pessoas, comam! comer é, certamente, um dos prazeres mais gostosos e necessários do mundo.

texto totalmente inspirado no susto que tomei depois de ver uma foto que mostrava que minha magreza tinha saído fora do tom.

02 de setembro, #semfisio

a fisio volta só na sexta. felizmente, já sinto pouco ou quase nada de dor. o repouso forçado tem sido entendiante, porém, necessário, pra cicatrizar esse músculo logo. obrigada!

sobre a alimentação, depois de uma semana de orgia gastronômica, comecei a semana insuportavelmente focada. e, sim, sem burlar o carbo.

inclusive, não sei se procede. mas li em algum lugar que dependendo da lesão, o metabolismo pode ficar mais acelerado. ou seja, mesmo sem atividade física, nada de reduzir as calorias. ainda mais sabendo que o corpo precisa recuperar.